Conheça e se inspire nos grandes autores da literatura afro-brasileira

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Me responde uma coisa, quantos autores afro-brasileiros você conhece? Caso não consiga ter uma lista tão grande, não se preocupe. Existem diversos autores negros que construíram grandes obras, mas que, pela falta de visibilidade e representatividade, acabaram sem a notoriedade merecida.

Há ainda, aqueles que sofreram embranquecimento nas suas representações, como é o caso de Machado de Assis. Segundo estudos, há evidências de que o escritor era negro e foi definido como branco pela elite intelectual da época. As razões para isso não são difíceis de se imaginar: a escravidão marcou as relações sociais do país. Assim, os negros foram inferiorizados em muitas áreas.

Então, autores afro-brasileiros existem sim, mesmo que no geral, não tenham tanta visibilidade. Para contornar essa situação preparamos esse post especialmente para falar sobre grandes autores negros. Confira!

Carolina Maria de Jesus

A escritora que é considerada um marco na literatura nacional, completaria 105 anos em março se estivesse viva atualmente. Sua história no Universo da escrita começou quando ela trabalhava como catadora de lixo e registrava seus relativos em folhas amareladas encontradas. As histórias giravam em torno do seu cotidiano como mulher negra, mãe, pobre e favelada na antiga comunidade do Canindé, zona norte de São Paulo.

Isso deu origem a seu primeiro livro, o Quarto do Despejo – Diário de uma Favelada, publicado em 1960. O livro se tornou referência para estudos socioculturais brasileiros e um best-seller, vendido em 40 países e traduzidos em 16 idiomas. Depois dele foram lançadas outras obras, inclusive trabalhos póstumos, como Onde Estás Felicidade.

Cruz e Sousa

Esse autor é considerado uma grande representação do movimento simbolismo no Brasil e também recebeu nomes como Cisne Negro e Dante Negro. Cruz e Sousa foi filho de escravos e teve a sua educação no Liceu Provincial de Santa Catarina patrocinada pelos antigos proprietários de seus pais. A partir disso, aprendeu línguas como o grego, francês e latim.

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Essa educação mais refinada permitiu que o escritor atuasse em jornais, como o abolicionista ‘’Tribuna Popular’’ e o ‘’Folha Popular’’, além das revistas ‘’Novidades’’ e ‘’Ilustrada’’. No entanto, todo o conhecimento adquirido por Cruz e Sousa não impediu que ele sofresse racismo a ponto de ser proibido de assumir determinados cargos. Esse preconceito inclusive, foi tema frequente dos seus escritos.

Conceição Evaristo

Outro nome de peso que representa a comunidade negra na literatura é Conceição Evaristo. A escritora publicou seu primeiro poema em 1990. Recentemente, houve a publicação do livro de contos Olhos d’Água, o romance Ponciá Vicêncio em 2003 e o Becos da Memória em 2006.

Conceição Evaristo fala sobre a importância de conhecer seus textos e encará-los para além de uma militância, além de como o racismo torna mais difícil a venda de livros por autores afro-brasileiros.

Afinal, a herança da escravidão deixa no imaginário da maioria dos brasileiros algumas competências para o negro, e as intelectuais, não costumam fazer parte dela. Em outras palavras, livros escritos por brancos podem ser bons ou ruins, assim como por negros. Porém, nesse último caso, não é permitido que haja falhas.

Além dos nomes mencionados, não se pode esquecer também de Djamila Ribeiro, Suzane Jardim, Esmeralda Ribeiro, Adão Ventura, Carlos Machado etc. É só a partir do conhecimento de autores afro-brasileiros como esses que se pode chegar a uma maior valorização e igualdade na sociedade que historicamente, inferioriza o intelecto da comunidade negra.

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